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jan 05, 2010 | Norman Novaes | 13 Comments
Crítica

Boris Casoy e o problema em falar a verdade

Durante o jornal  da Rede Bandeirantes, Boris Casoy faz um comentário que deixou muita gente indignada. Ou pelo menos é o que eles dizem!

Se você ainda não sabe o que aconteceu, veja o vídeo abaixo:

Reproduzindo a frase:  “Que merda, dois lixeiros desejando felicidades, do alto das suas vassouras…dois lixeiros, o mais baixo da escala de trabalho.”

Bom… de modo geral, entre os que defendem e os que condenam Boris Casoy pelo seu ato, a unanimidade pelos sites e blogs que eu tenho lido é que a frase do jornalista foi infeliz.

Mas pera lá! Infeliz como cara-pálida?

Os brasileiros (sim, os mesmos que dizem que não existe preconceito por aqui e que a criminalidade não é tão grande em nossas cidades) mais uma vez saem em defesa do politicamente correto. É de se esperar que isso aconteça num lugar onde as pessoas vestem camisas brancas e fazem uma caminhada pela paz ou dão um abraço simbólico na lagoa poluída. Esse tipo de atitude, neste caso refletido no apedrejamento de Boris Casoy é que camufla nossos problemas.

Ou alguém aqui defende que os garis estão em algum outro lugar que não seja “o mais baixo da escala de trabalho”?

Você compra, você come, você gasta e produz lixo. Lixo = o que não presta. Aí vai alguém na porta da sua casa pegar essa tralha toda, não por consciência ou bondade, mas sim por necessidade. Não importa se você é um magnata ou tem o pior dos empregos, alguém vai lá pegar o seu lixo. Isso não é estar em nenhum outro lugar que não o apontado por Boris.

Pode parecer cruel, ou que eu sou algum tipo de Playboy, ou qualquer comentário do gênero, mas é a realidade!

Além disso, ninguém deseja que seu filho seja um lixeiro do mesmo modo que deseja ver seu filho um médico, engenheiro, astronauta ou – por incrível que pareça – um político.

Esta é sim a última opção, ou uma das últimas. E num último suspiro de comoção alguns falarão que antes eles terem escolhidos ser lixeiros que se render ao crime e blá blá blá. ISSO É ÓBVIO. Eu não sou criminoso e nem apoio, vivo em uma sociedade onde (e eu concordo) é aceitável viver num ambiente pacífico. Então isso não é argumento que se apresente.

Mais um vício do brasileiro que colabora com essa falsa revolta é que por aqui todo coitadinho é sempre apoiado. O brasileiro gosta de gente coitada. Ou você não lembra dos comerciais “fulano é gente que faz”, dos inúmeros pontos de ibope que Gugu, Ratinho & CIA conquistaram dessa forma?

Gente que faz? Por que tem gente que faz numa cooperativa de bordadeiras, como diria Fábio Rabin, do raio do gelo do c* do Alasca?  Não existe executivo que faz? Não existe médico que faz?

Sobre o fato de ser um trabalho que precisa ser feito, e por isso ele é tão digno como os outros, não discordo. Mas o Boris Casoy também não, pois não foi neste ponto que ele tocou!

Existem lixeiros tristes com seus empregos, existem outros felizes e até aqueles que esperam durante todo o ano pra limpar o sambódromo no carnaval. Por algum motivo eles estão lá, em um lugar que certamente eu e você não gostaríamos de estar.

Boris Casoy falou a verdade, independente de ser o não a hora e lugar apropriados, e certamente sem saber que estava no ar, mas um fato é imutável, os garis pegam o seu lixo. E se você me achou um otário por estar falando isso, por favor se lembre que eles pegam o meu lixo também.

E da próxima vez que o lixeiro, justamente no natal, for bater na porta da sua casa pra pedir caixinha, lembre-se de como eles foram humilhados em rede nacional e ao invés de reclamar, tire “dézinho” da sua carteira e entregue ao moço!

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13 Comments

Wania 1:29 pm - 6th janeiro:

Brilhante. Parabéns. Você usou com muita lucidez seu argumento e sem dúvida deixaria muitos leitores da Barbara Gancia em estado de paralisia.
Fiquei encantada com sua imparcialidade e analise.

Fabio 3:16 am - 8th janeiro:

Olha, finalmente alguém que não segue essa cúria de politicamente corretos e que acham um absurdo o Boris Casoy falar isso e, mesmo assim, vir um monte de hipócritas falar bobagens.

Fabiano Amorim 11:07 am - 8th janeiro:

Vem cá!Desde quando trabalhar como gari é motivo para alguém não se sentir feliz e desejar felicidades para as pessoas? O que está em discussão não é o fato de serem garis e sim a forma como o tal jornalista boca esquisita falou: “Que Merda…desejando felicidades do alto de suas vassouras…’.Como se a felicidade fosse diretamente proporcional ao grau de sua profissão.

Sebastião Marques 3:54 pm - 9th janeiro:

Parabéns pelo seu texto. Gostei muito dele principalmente porque você foi autêntico e não um Maria-vai-com-as-outras como vemos por aí. Parabéns por sua autenticidade!

Yuri 3:22 pm - 11th janeiro:

É completamente ridiculo se deparar com comentários insanos como este. Opnião, todos tem, direito de julgar todos tem, mas apesar de gari ser uma profissão muit o desmerecida ela tem um grau de inportancia MUITO maior do que Jornalista, Jornalista pode faltar que nada muda, agora deixe o gari faltar que verá o que acontece, e a profissão é muito mais digna do que a de um jornalista estrelinha movido pela ganancia de um país sangue suga.

E finalizando a felicidade esta ai, NATAL E FELICIDADE SÃO PARA TODOS, e não somente para aqueles que compram caviar e scargot, CARATER NÃO É MEDIDO POR NIVEL DE ESCOLARIDADE, TANTO QUE JESUS NÃO ERA IMPERADOR DE ROMA, MAS REPRESENTAVA E REPRESENTA PARA A SOCIEDADE ATÉ MESMO NAQUELA EPOCA MUITO MAIS DO QUE UM IMPERADOR REPRESENTAVA!!

Norman 3:13 pm - 21st janeiro:

Concordo com o que você falou, e ser gari realmente não tira a dignidade de ninguém. Mas eles estão sim num ponto da tal escala do trabalho que é compatível com a tarefa que fazem. Realmente, alguém tinha de fazê-lo e os "limpadores" são importantes em qualquer sociedade (pense num formigueiro), porém a importância que damos para estas pessoas é que faz com que sejam tratados com desdém.

Cristina 9:56 pm - 19th janeiro:

Falta total embasamento para esse post, vocês deveriam se informar um pouco mais antes dessa avalanche de senso comum.

Norman 3:12 pm - 21st janeiro:

Eu gostaria que você desse mais argumentos sobre seu ponto. Principalmente porque sou uma pessoa que gosta de aprender cada vez mais, portanto faço o convite para que volte por aqui e explique a forma como pensa. OBS: Não se sinta intimidada, apesar da forma como escrevi não estou nem um pouco aborrecido com seu comentário ;)

ivone paulo pires 12:55 pm - 21st janeiro:

Norman, você foi genial escrevendo seu ponto de vista! Sou assim também, gosto de observar muitos lados de um fato e portanto sou muitas vezes criticada. Parabéns! Ivone.

Norman 3:10 pm - 21st janeiro:

Galera, valeu pelos comentários! É sempre bom ter a opinião de vocês sobre o que escrevemos por aqui. Eu entendo que o meu argumento pode não agradar a todos mas na direção da correnteza é muito fácil, nós temos sempre que olhar de um outro ponto. Ao utilizar duras palavras o jornalista foi crucificado, mas, salvo raras exceções, muitos de nós concordamos com esta visão – se não em pensamento, pelos nossos atos – e continuo pregando: temos que ser coerentes entre o que falamos e como agimos!

Vou responder alguns comentários diretamente aos autores (confira acima). Para todos os outros: muito obrigado novamente pelos elogios. convido vocês a continuarem no debate e a voltar a comentar, tanto aqui quanto nos outros posts! =)

lucas 1:27 pm - 25th janeiro:

Norman, o ponto não é ser verdade ou não, o ponto é que pelo contexto todo que foi dita esta infeliz frase, Boris deixou claro que não dá a menor importancia ao trabalho de lixeiro, pois para ele é uma merda dois lixeiros desejarem felicidades, agora se fossem 2 executivos? O problema não é ser verdade que é o mais baixo da escala de trabalho, pela lógica capitalista, mas sim que é ridículo colocar isso como um impedimento ou uma justificativa para que eles não possam ser tratados como todas as outras pessoas e possam sim desejar felicidades sem serem ofendidos pelo que fazem.

Belezis?! … é isso ai!
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Anieli 12:48 am - 26th janeiro:

Concordo com o comentário do Lucas.
Um comentário como o feito por Boris, um FORMADOR DE OPINIÃO, é extremamente nocivo para a sociedade e alastra cada vez preconceitos já existentes; diferente do que o Norman explica nesse texto, a intenção do Boris em seu discurso não foi dizer qual a posição do lixeiro no ciclo de trabalho, o que é óbvio e faz todo o sentido, mas sim desmerecer o discurso de outro ser humano baseado nesta condição, e isso sim, é inadmissivel.

Tambem não gosto de defender o "politicamente correto", mas refleti um pouco sobre esse caso e para mim ele está beirando o inaceitável mesmo rs.

Norman 1:25 am - 30th janeiro:

Vídeo-comentário, claro que não diretamente pra nós… mas relevante…

Rap do Boris Casoy http://vqv.me/33M
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